Touradas à Corda por

Touradas à Corda

As touradas dos Açores, ilha a ilha: em direto, na agenda e filmadas.

Flores e Corvo aproximadas; as ilhas mais pequenas desenhadas maiores. Mapa © colaboradores do OpenStreetMap.

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    Os capinhas

    Chamam-lhes capinhas: os rapazes que saem do povo para lidar o toiro preso à corda, de capa, de guarda-sol ou de mãos vazias. Esta é a sua história, de século em século.

    1. Azulejo: gado bravo a pastar entre muros de pedra negra, com uma caravela no mar

      Século XVI

      Uma ilha de gado bravo

      Os primeiros povoadores trazem da terra o gosto pelos toiros. Os escritos antigos falam em mais de cem mil cabeças de gado na Terceira, muito dele bravio, a pastar no interior da ilha.

    2. Azulejo: toiros lançados pela encosta contra soldados castelhanos na baía da Salga

      1581

      Os toiros da Salga

      A 25 de julho, uma armada castelhana desembarca na baía da Salga. Os terceirenses lançam o gado bravo contra os soldados e ganham a batalha. A lenda guarda o nome de Brianda Pereira; outros relatos falam de um frade agostinho. O toiro entra na alma da ilha.

    3. Azulejo: toiro à corda numa rua de Angra em festa, com varandas cheias

      1622

      O primeiro registo

      Para festejar a canonização de São Francisco Xavier e de Santo Inácio de Loiola, a Câmara de Angra manda correr toiros pelas ruas da cidade. É a tourada à corda mais antiga de que há registo, mas o costume já vinha de trás.

    4. Azulejo: um capinha de capa aberta deixa passar o toiro; ao fundo, pastores descalços

      Antigamente

      Capa, capote, capinha

      O nome vem do capote, a capa dos antigos toureiros: por semelhança, chamou-se capinhas aos rapazes que lidam o toiro na rua. Os toiros chegavam a pé, em manada, e esperavam no touril; os pastores vinham descalços, de chapéu de feltro de abas largas.

    5. Azulejo: tourada à corda numa ladeira de Angra, por volta de 1904

      1904

      A tourada nos postais

      Saem de Angra, rumo à Alemanha e à França, bilhetes-postais com a tourada à corda em São Bento. A festa da rua já é o retrato da ilha.

    6. Azulejo: tourada à beira-mar, um capinha mergulha à frente do toiro

      Século XX

      Da gaiola ao mar

      Os toiros passam a viajar em gaiolas, em cima de camiões que em dia de festa se enfeitam com hortênsias, e o touril desaparece. Na segunda metade do século nascem as touradas à beira-mar, em que toiro e capinhas acabam dentro de água salgada.

    7. Azulejo: o toiro para no risco pintado na rua, segurado pelos pastores, e um foguete no céu

      2008

      A tradição na lei

      Os Açores passam a tourada à corda para a lei regional (Decreto Legislativo Regional n.º 37/2008/A). Com as alterações seguintes: quatro toiros bravos com pelo menos três anos, embolados, corda ao pescoço, riscos no chão, foguete à saída e à recolha, e época de 1 de maio a 15 de outubro.

    8. Azulejo: um capinha abre o guarda-chuva à frente do toiro numa rua da Terceira

      Hoje

      Mais de duzentas por ano

      De maio a outubro correm-se, em regra, mais de duzentas touradas à corda na Terceira: 268 em 2008, o máximo desde 1996. A pandemia parou-as em 2020; em 2022 voltaram 235. Os capinhas continuam a sair do povo, a corpo limpo, de guarda-sol ou de pano na mão, e os emigrantes levaram a festa para a Califórnia e o Canadá.

    Fontes

    Festas

    Da Páscoa ao fim do verão, cada freguesia coroa o Espírito Santo, abre o seu império e dá de comer a quem chega. E onde há festa, há toiro na rua.

    • O império

      Uma pequena capela no alto de uma escadaria, pintada de cores vivas e quase sempre coroada pela coroa e pela pomba. Muitas foram pagas por emigrantes, a partir de 1860.

    • A coroação

      Na missa da festa, a coroa de prata, com a pomba de asas abertas, é posta ao imperador, muitas vezes uma criança, e segue em cortejo até ao império.

    • As sopas

      Sopas do Espírito Santo, alcatra e massa sovada, servidas a todos, conhecidos ou não. No bodo de leite, dá-se leite e pão.

    • E a tourada

    Fontes: SIPA, Os Impérios do Espírito Santo na Ilha Terceira · Paula Noé (2012) · Wikipedia, Cult of the Holy Spirit

    Loja

    A praça, em miniatura.

    Réplica da praça de Angra impressa em 3D, base com a sua mensagem e enfeite de Natal com a sua fotografia.

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